Cordel chic

Versão em português
tradução de Marisa G.S. 

 

“Cordel chic, uma coleção peculiar” é um projeto concebido e realizado por Hélène Jolis. Tem um caráter singular e inusitado: celebra de forma bela e despretensiosa a união da Literatura de Cordel e da Encadernação enquanto manifestações artísticas em torno do livro que até então não tinham se encontrado.

 

Cordel Chic, uma coleção peculiar  - por Hélène Jolis

livros de cordel encadernados, vestidos, por amigos

Os livros são brasileiros.

Os amigos são franceses, brasileiros, australianos, espanhóis, suecos, estonianos, japoneses, italianos, belgas, norte-americanos. Eles são encadernadores profissionais ou amadores ou artistas ou simplesmente amigos.

objetivo da coleção

Fazer uma homenagem às edições de literatura de Cordel, aos gravadores que me atraíram para esses livros, aos cordelistas que me fizeram descobrir, aos repentistas.

Quero deixar claro que essa coleção não pretende ser una representação do que é a literatura do Cordel. Não é fruto de extensa pesquisa científica, erudita não. Eu amo a xilogravura, a arte popular viva, o Brasil e os livros. Eu visitei os locais onde se vendem cordéis, encontrei gente e comprei os livros que me agradavam sem nenhum critério outro que o acaso e meus entusiasmos. É uma coleção intuitiva e sentimental.

Em junho de 2000, eu pedi a meus amigos, encadernadores ou não, que os vestissem ou encadernassem.

Por amizade.

O resultado do trabalho de cada um foi um reflexo da nossa relação.

Não era para transformar o Cordel num objeto de luxo! Não! O pensamento era algo como a ilusão de vestir uma fantasia suntuosa ou engraçada.

intenção

Mostrar os livros de Cordel em diferentes estados: novos ou usados, encadernados, vestidos, decorados, ... enfim, reeditados para reabilitá-los enquanto livros.

Sei que existem muitos trabalhos importantes de estudo e pesquisa da literatura de Cordel e do lugar que ocupa na cultura popular brasileira. Minha intenção é de valorizar o objeto LIVRO. Mostrar como são BONITOS, o quanto nos levam a querer lê-los e a entender seus contos. Como, enquanto LIVROS, eles nos atraem e nos dão vontade de criar sobre eles e entorno deles.

o que me seduz no Livro do Cordel:

- sua originalidade, seu enraizamento na realidade popular;
- seu modo de criação, de difusão à margem dos sistemas editoriais que eu conheço;
- sua forma de espelhar os problemas e fatos da vida quotidiana;
- a ingenuidade do conteúdo misturada à coragem e ao anti-conformismo;
- o fato de que ele retrata tanto os problemas da vida real quanto das lendas e do irracional. O presente, o politico, as manchetes, o religioso – tudo é matéria transformável e digna de ser contata.
- tudo isso ligada à admiração sincera pelo trabalho da edição, da escrita, da arte de que são fruto.

 

o que são os Cordéis:

O Cordel é um livreto fruto da chamada literatura de cordel do Nordeste brasileiro. Do tamanho aproximado de um cartão postal consiste de duas folhas dobradas ao meio formando um só caderno e encaixado numa capa do mesmo papel do texto, porém colorido, cuja ilustração é muitas vezes uma xilogravura.

O testo é composto em versos por poetas populares conhecidos como cordelistas e repentistas. Os primeiros escrevem os versos e os segundos cantam no improviso. Herança do Brasil colonial que recebeu as tradições europeias dos “troubadours” – trovadores.

Os títulos dos Cordéis são por si só uma constante fonte de surpresas.

A literatura popular do Brasil é forte, poética, engraçada, viva.

Os autores do Cordel se dizem poetas ou cordelistas. São às vezes ilustradores também e editores, impressores e vendedores. Os vendedores expõem os livrinhos em cordas estendidas - em cordéis – daí o nome. São vendidos em feiras e mercados populares no Nordeste ou nas cidades onde a população nordestina é numerosa como Rio de Janeiro e São Paulo.

O livros são rústicos, de escasso valor, mas são ricos posto que resumem a cultura popular nordestina.

conteúdo da exposição

- 48 Cordéis encadernados, muito chiques, apresentados com um exemplar original não encadernado ou com una reprodução da capa original.
- alguns cordéis em seus estados brutos, sem reparos ou sem encadernação tal qual os encontrei pelas minhas viagens pelo Brasil ( aproximadamente 40 exemplares).
- algumas placas de madeira gravadas que foram usadas para gravação por J.Borges, José Costa Leite, Marcelo Suares.
- algumas gravuras impressas desses mesmos gravuristas acima mencionados e mais Zaven Paré e Ciro.
- 3 livros de Cordel bilíngues português-francês editados por Monique Mathieu. São ilustrados por J.Borges, Erivaldo e Zaven Paré.

 

Exposições anteriores:
- Casteljaloux, França - maio de 2005 (ano do Brasil na França).

- Marché du Livre de Lourmarin, França – 2005 (instalação)

- Marché du Livre de Mariemont, Belgica– 2005 (instalação)

- Mediathèque de L’Agglomération Troyenne (MAT); Troyes, França – janeiro a março de 2008.

- Galerie Espace Liberté; Crest-Drome, França – maio de 2013.

 

Sobre Hélène Jolis

- É especialista em douração manual e decoração de Encadernação-arte.
- Medalha de ouro no Concurso de “Meilleurs Ouvriers de France” em 1986.
- DEA-Arts Plastiques, mention três bien, 1989, Université Paris 8 (diplome de 3ème cycle)
- Colaboradora de Georges Leroux, Monique Mathieu, Sun Evrard 

- desde 1995, atua como professora em instituições de diversos países, como profissional independente e como colaboradora em projetos de outros artistas do livro.
- Idealizadora da Associação Cultural “ATCHUM pompognaise” (http://www.atchum.com/), que existe oficialmente desde setembro de 2004 e fomenta a transmissão, construção e troca de conhecimentos técnicos e valorização de meios de expressão artística, tradicionais e contemporâneos, especialmente ligados ao livro e à encadernação.